Francisco Leal

SONOPLASTIA / DESENHO DE SOM

Desenho de Som em teatro

A engenharia de sistemas de som para teatro requer aplicações únicas de reforço de som, amplificação e tecnologias de processamento audio. O ‘design’ deve considerar os requisitos específicos de um espectáculo, seja ele um drama, um musical, comédia ou outro, requerendo a atenção cuidada sobre o texto, a sua dramaturgia e sobre os ensaios, bem como a engenharia de som, as medições electroacústicas e consequente afinação metódica adequada ao espaço. Para esse efeito é de extrema importância a opção do sistema de amplificação e a sua implantação, bem como a escolha/disponibilidade da aparelhagem que permita a acessibilidade necessária à manipulação dos parâmetros pretendidos e que assegurem a sua repetitividade espectáculo após espectáculo, salientando ainda a importância da perícia e sensibilidade do operador de som para esse controlo.

grafSpeech Intelligibility Papers
Ralph Jones, ed. Rachel Murray, P.E., Meyer Sound Laboratories Inc.

Um dos elementos do ‘design’ de som é a amplificação dos actores, que tem como objectivo base a inteligibilidade da palavra para o público, não obstante as condicionantes acústicas da caixa de palco, a movimentação, o posicionamento e a distância dos actores em relação ao público. O desenho de som, neste objectivo elementar, deve manter a teatralidade do espectáculo sem se tornar intrusivo.A audiência deverá ter a sensação do som ampliado dos actores como que provindo dos actores que estão situados no palco e não das colunas por onde é realmente emitido. Sendo actualmente relativamente fácil produzir som de alta fidelidade esta é a diferença que poderá distinguir um desenho de som de um simples reforço de sonoro.

O recurso à captação da voz dos actores ou de outros elementos sonoros permite a sua manipulação através do processamento de efeitos digitais que recriam espaços acústicos, ou que acentuam o sentido dramático de frases ou palavras, ou até o carácter de um personagem.

Trabalhando com o encenador, o desenhador de som providencia o efeito sonoro requerido pelo texto e manipulando esse som adiciona um elemento criativo, processando-o de forma adequada ao sentido dramatúrgico da encenação. Em colaboração com o compositor, faz a ponte entre a concepção da banda sonora e a sua materialização no espaço cénico e no tempo da acção, – o auditório, o palco e o cenário, o texto e a oralidade, a movimentação e os objectos, planificando as imagens sonoras através da espacialização na reprodução de música, ambientes e efeitos sonorosde forma a manter a imagem sonora coerente com a imagem do palco.

Os elos finais de um desenho de som são o microfone e o altifalante, sendo a electroacústica a tecnologia ao seu serviço.

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DESENHO DE SOM - 1:

Processo técnico e criativo da utilização de um sistema de sonorização, que permita o controlo sobre diferentes parâmetros electroacústicos de qualquer fonte sonora, acústica ou gravada, para a exploração do envolvimento sonoro de um espectáculo, criando diferentes planos e perspectivas de difusão de som num auditório ou ao ar livre, criando imagens sonoras através de um som “vivo” e não intrusivo, mantendo a teatralidade do espectáculo.